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sábado, 6 de março de 2010

Cupuaçu e açaí

Acabei de voltar de um almoço com o pessoal do Posto Médico.
Prato principal: tambaqui na brasa.
Mas o assunto deste post será sobre as sobremesas...

(clique na foto para ampliar - cupuaçu "in natura", no meio da floresta amazônica. Notem meu suor, tamanha a umidade e calor no meio da mata. A casca do cupuaçu é dura, deve ser quebrada para encontrar no interior uma centena de sementes envoltas por uma espécie de creme bastante amargo, utilizado na região para fazer o creme de cupuaçu, suco, sorvete, bombom, e outros doces)

- Tenente, tem creme de "cupu" (cupuaçu) e açaí! o senhor já provou?
- (eu) Já! O creme é uma delícia, mas o açaí só provei o que eles fazem lá no Rio.
(gargalhada geral)
- Aquilo não é açaí, Tenente! Açaí é esse aqui, que a gente tira direto da árvore (me mostra o braço todo ralado), sem nenhuma mistura para engrossar ou para te enganar. Mas tem uma coisa. Ou come o cupuaçu ou come o açaí!
- (eu) Por que? Tem pouco?
(gargalhada geral)
- Não... Se comer os dois o senhor vai passar mal!
- (eu) Diarréia?
- Não! Vai vomitar muito! Ou então vai ter muita dor no estômago!
- (eu) Mas eu quero provar os dois! VOU provar os dois!
- O senhor que sabe... mas te avisamos!

O creme de cupuaçu estava uma delícia. Eles batem a poupa da fruta do cupuaçu com creme de leite e leite condensado e põe pra gelar. Bom mesmo! Parece uma mousse!

O açaí estava num panelão enorme, não sei como se prepara, mas sei que eles pegam as frutinhas que são durinhas, deixam de molho, moem ou fazem sei lá o que (vou pesquisar) e depois coam asando um pano, e o que se come é o caldo, que eles dizem que é como um vinho do açaí. Comi uma xícara, com um pouco de açúcar e um punhado de tapioca (uns flocos crocantes meio sem gosto) misturada ao açaí.

Sei que todo mundo ficou me olhando, e de tempos em tempos perguntavam "tá bem? Tem certeza? Quero ver amanhã!"

Bom, até agora... tá indo tudo bem... rs! Deve ser alguma superstição como comer manga com leite...!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Taperebá



Taperebá na Amazônia de onde provavelmente é originaria, cajá para os nordestinos, cajá-mirim no Sul.

Fruta de sabor agradável bem como o arom
a. É ligeiramente azedinha. Sua polpa é utilizada na preparação de sucos, sorvetes, licores e doces. Tem um tamanho um pouco maior do que uma azeitona.

(Clique nas fotos para ampliar)

Valor calórico 70 kcalVitamina B1 0,08 mg
Umidade 82,70 g
Vitamina B2 0,06 mg
Proteínas 0,80 g
Niacina 0,50 mgFibra alimentar 1,00 g
Vitamina C 28,00 mg
Cálcio 26,00 mg pH 2,90
Fósforo 31,00 mg Brix 8,50 %
Ferro 2,20 mg






Enquanto isso em em algum lugar no meio da selva amazônica:
Chove torrencialmente em Tefé...
A luz acabou por mais de 4 horas hoje cedo, e neste instante (7 da noite), a luz está estranha... nem o ar-condicionado tem força pra ligar...


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Pacu


Passei mais uma vez na senhorinha da esquina que vende os peixes na brasa. O esquema ali é o seguinte: o marido passa o dia pescando. De noite, ela vai pra fora de casa, coloca a churrasqueira e vende as peixes na brasa. Uma mão na roda para mim!

Peixe do dia: PACU.
Preço que paguei por um prato de arroz + 1 pacu na brasa: R$ 2,00



Carne saborosa, espinhas longas com pouco risco do degustador se engasgar! Diferentemente do bodó que se come com tripas e tudo, o pacu veio limpinho. Parece uma piranha. Acho que 2 seriam melhor do que só um para satisfazer a fome de uma pessoa. Aprovadíssimo!


(Notem o meu "legal" aprovando o peixe... rs)

Vamos ao google, conhecer mais sobre o pacu ("fonte 1" e "fonte 2"):

Pacu é o nome geral dado a várias espécies de peixes caracídeos da subfamília Serrasalminae, que também inclui as piranhas.

São típicos da Bacia Amazônica, Araguaia-Tocantins, Prata e São Francisco, onde algumas espécies serão encontradas em rios, lagos e igapós, e outras em corredeiras e pedrais, alimentando-se de frutos, sementes, algas e também de crustáceos e moluscos.

Atinge 15 kg de peso, comum até 8 kg. São praticadas duas formas diferentes de pesca: na vara de bambu, fisgada com frutos (tucum, laranjinha ou genipapo) ou pesca apoitada com isca de caranguejo.

Tanto os do gênero Metynnis (21 espécies), quanto os do gênero Mylossoma (5 espécies) apresentam o corpo alto e comprimido lateralmente em forma arredondada ou ovalada, coberto de pequenas escamas. A cabeça e a boca dotada de fortes dentes molariformes dispostos em uma ou duas fileiras, são pequenas e as nadadeiras dorsal e anal estão situadas na parte posterior do corpo. A coloração depende de cada espécie e muitas vezes da água onde vivem. Espécies como o Pacu-borracha, apresentam manchas avermelhadas pelo corpo.


sábado, 9 de janeiro de 2010

Bodó


Agora há pouco eu olho pela minha janela e vejo, na esquina, uma mulher fazendo peixes numa churrasqueira.


Fui até lá:
"Quanto custa?"
"Dois reais"
"É bagre?"
"A gente chama de BODÓ"


Comprei um...!

Levei um tempão tentando entender por onde começaria a comer. Tentei abrir a cabeça e não consegui. Fiz uma incisão na barriga, e encontrei um monte de "sei-lá-o-que" amarelado, parecendo ovas, bolinhas estranhas. Percebi que as visceras não haviam sido limpas. Mas... guerreiro de selva... comida é comida! E tem peixe que, por aqui, se come por inteiro, e resolvi arriscar.

(Clique para ampliar)

A consistência meio estranha, o gosto de bom para amargo algumas vezes, até depois encontrar a carne só pela área da cauda. Pouca carne, mas até que gostosa.

(Clique para ampliar)

Depois que comi, fiquei cismado de ter comido aquilo e vim pra net, pesquisar no oráculo (google) sobre o tal Bodó. Achei pouca coisa, o melhor numa página do INPA (clique aqui, recomendo a leitura do texto como um todo). Separo as melhores partes para vocês:

- Considerado “o patinho feio” na preferência dos consumidores e pescadores, o Liposarcus pardalis, é conhecido popularmente como acari-bodó
- O acari-bodó é um peixe típico do Amazonas, pois ele não é encontrado em nenhum outro lugar do país.
- Faz parte da culinária cabocla por ter uma carne saborosa e costuma ser apreciado em forma de calderada, assado ou na forma de farinha de peixe, também conhecida como farinha de piracuí.
- Apesar de ser bastante conhecido pela população, ele é secundário na preferência dos pescadores... comparado às demais espécies de peixes amazônicos.
-Eles devem ser consumidos imediatamente após a morte, devido ao rápido processo de deterioração e ao odor insuportável que provocam.
- A causa do mau odor do acari-bodó após a morte: foi constatado que as enzimas fabricadas pelo hepatopâncreas (órgão responsável pela liberação das enzimas do trato digestivo) na zona de transição entre o intestino e o estômago, onde se inicia a degeneração, são as vilãs do processo. Outros peixes também possuem o hepatopâncreas, porém eles não liberam as enzimas com a mesma intensidade, se considerado o mesmo período de tempo, após a morte.
- Após ser pescado ele ainda consegue viver fora d'água devido ao seu estômago, que, ao longo dos séculos, se especializou como um sistema respiratório acessório.
- O correto é manter o peixe entre camadas de gelo, sem as vísceras. Dessa forma, ele chega a durar doze dias, enquanto que se comercializado na forma tradicional estraga em questões de horas.
- O hidrolizado protéico é indicado para o consumo de pessoas que tiveram queimaduras de segundo e/ou terceiro graus pelo corpo e também por pacientes hospitalizados que precisam ser alimentados por sondas, já que a substância é rica em aminoácidos e peptídeos que ajudam na recuperação.
- Há o mito de que o acari-bodó alimenta-se de fezes. No entanto, segundo os testes de coliformes fecais realizados, essa crendice popular não foi confirmada. Durante os trabalhos, o pesquisador conta que fez diversas entrevistas. Em uma delas, um entrevistado explicou como esse boato transformou-se em “verdade”. “Havia dois pescadores, eles estavam com a canoa repleta de peixes. Um deles tinha pescado somente acari-bodó. Para boicotar o concorrente, o que tinha pescado outro tipo de peixe espalhou que o bodó alimentava-se de fezes e o boato ganhou a boca do povo”, explicou.
- Existem várias outras histórias referentes ao bodó. Entre elas, o pesquisador afirma que há pessoas que criam o peixe dentro do próprio banheiro.
- Na tradição indígena há relatos que contam que o bodó vira sapo após perder a calda.
- Para os mais religiosos, o peixe é considerado o sapato do diabo devido à sua aparência nada agradável.
- “Se alguém quiser ter uma animada conversar com um caboclo da região é só falar sobre o bodó. Ele é cheio de mitos, além de ser considerado um fator de identidade cultural do povo”.