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sexta-feira, 19 de março de 2010

Anil

Morar sozinho às vezes não é fácil...
Principalmente se você é homem, solteiro, longe da família, longe de casa, no meio da Amazônia, sem máquina de lavar, sem liquidificador, etc.

Coisas que eu detesto: lavar roupa, e mais do que isso, passar roupa! Eu voltaria no tempo e mataria a primeira pessoa que inventou que os tecidos devem ser passados! Diabos! Deveríamos deixá-los amassados ao natural... algo muito mais prático! Rs.

Como médico, e também no Exército, utilizo jaleco branco para o atendimento. E claro, esta é uma peça de deve estar sempre bem lavada e passada. Antes, no Rio, era só jogar na máquina de lavar e pronto. Mas aqui...

Outro dia eu cheguei em casa e passei no mercadinho que fica embaixo do apartamento onde estou morando. Fui conversar com a dona do mercadinho, chamada Sula.

- Sula, me dá uma ajuda? O que eu posso fazer para deixar meu jaleco mais branco quando eu for lavá-lo?
- Simples! Mistura álcool na água e usa anil.
- Álcool? Anil?
- É! Na água com sabão, coloca um pouco de água, depois enxagua com o anil.
- Tá. Coloco o jaleco na água com sabão, jogo álcool...
- Não! Não! Pega o balde, coloca água, dissolve bem o sabão em pó, e coloca um pouco de água. Só depois coloca o jaleco, e deixa de molho até ficar limpo!
- Até ficar limpo? Isso não vai dar certo! Quanto tempo de molho?
- Ah... você vai olhando e tira quando estiver limpo!
- Não, Sula, não vai dar certo. me diz um tempo! Eu cronometro e tiro o jaleco!
- Tá bom.... (rindo) umas duas horas. Depois enxagua no anil.
- Anil? Tá... o que é isso?
- Essa pedrinha azul aqui. (pega uma pedra azul menor que uma caixa de fósforo). Dissolve 1/4 dessa pedra em um balde de água. Aí enxagua o jaleco lá!
- Peraí... eu lavo o jaleco na água e sabão e álcool por 2 horas, tiro do balde, passo uma água, depois deixo de molho na água com anil?
- Não! Não deixa de molho... só enxagua! Só molha ele ali dentro por um minutinho.... e pronto! O anil vai deixar o branco com aquele reflexo azul bonito!
- Sula... Eu não posso manchar meu jaleco de azul! Ele tem que ficar branco! Eu não vou colocar ele numa solução azul! Vai manchar!
- (rindo muito) Não vai não! Vai ficar um branco bonito! Você vai ver!


A pedra de anil custou R$0,50!
Morri de medo ao colocar meu jaleco na solução azul...
Mas não é que ele ficou bem mais branco?

Mas sinceramente... não vejo a hora de ter uma máquina de lavar à disposição de novo!

Fui pesquisar sobre essa tal pedrinha azul....
(Fonte: baseado em http://estelanaurania.blogspot.com/2010/01/azul-anil-azul-3.html)


O anil é um corante extraído das folhas da planta (anileira). O anil é cultivado no Brasil, Espanha e na África, no Senegal, no Egipto, na Ásia, em Manila e Java. O fato de se comercializar em pó ou em pedra, fez acreditar durante muito tempo que se tratava de um mineral e não de um vegetal.

O corante natural é obtido, há vários milênios, a partir de plantas como Isatis tictorum e a Indigofera tinctorum,L.. A primeira, comum em climas temperados, produz o “pastel” ou o “ouro azul”, fonte de riqueza de algumas regiões europeias até ao fim do século XVI. Depois o pastel dá lugar ao azul de espécies de Indigofera, provenientes da Índia. Nas Américas, a planta era usada pelos nativos para tingir fios de algodão. Enquanto que noutras regiões os colonizadores procuraram aprender a técnica de produção de tinta azul, no Brasil, a presença da planta nativa no litoral, parece não ter chamado a atenção dos portugueses até finais do século XVII. Um século depois, no entanto, já existiam textos em que se discutia a preparação do anil.
A produção exigia passos razoavelmente conhecidos: partes da planta eram colhidas, geralmente no início da floração, e colocadas num tanque destinado à fermentação. Esse tanque comunicava com um segundo, para onde era transferido apenas o líquido proveniente da fermentação. Aí, este líquido era “batido” durante várias horas, até que dele era se separasse um sólido azul, que era recolhido e posto a secar. O material seco, na forma de “pedras”, era usado para tingir ou branquear fios e tecidos de lã, algodão e seda. Segundo o que se pensava na época, a fermentação promovia a reunião das partículas corantes, daí resultando um líquido verde (mistura de azul e amarelo). O método de “bater” o líquido fermentado, fazia com que as partículas corantes azuis se separassem das amarelas, depositando-se no fundo do segundo tanque.
Hoje, em termos químicos, podemos dizer que o índigo não existe na planta. É a indicona (um glicosídio) que fermenta, produzindo glicose e um leucocomposto que por oxidação origina o corante azul. No século XVIII, centenas de fábricas funcionavam no Rio de Janeiro, na Baía e no Pará. Nesta altura, a quantidade de corante importada por Portugal era suficiente para suprir as necessidades das nossas fábricas e ainda sobrava produto para reexportação. Mas, no século XIX, o comércio começou a declinar. O anil brasileiro não conseguia competir com o indiano, que chegava a Portugal a preços mais baixos. Além disso, o produto brasileiro começava a ficar desacreditado por reclamações de adulteração e má qualidade.
A Basf é hoje responsável por cerca de metade da produção mundial de índigo sintético, sendo poucos os que se dedicam, de forma alternativa, á preparação de índigo de origem vegetal. Mesmo as “pedras de anil”, tão populares há poucas décadas, já não são usadas para clarear a roupa.

OBS - exceto em Tefé, onde eu uso!

quinta-feira, 11 de março de 2010

La cucaracha

O motivo de eu escovar os dentes todos os dias, após as refeições e principalmente antes de dormir não se deve a nenhum dentista ou propaganda de creme dental.

Eu jamais esqueci um dia, na minha tenra infância, quando eu ouvi uma de minhas tias, hoje desencarnada, contando que em uma determinada noite ela havia comido doces e não escovou os dentes antes de dormir. De madrugada ela acordou ao sentir uma barata tentando entrar em sua boca...!

Eu jamais soube se essa história foi verdadeira (não duvido de nada em minha família) ou se era simplesmente uma dessas "lendas urbanas familiares". Só sei que jamais ousei não escovar os dentes uma só noite, sob pena de receber "visitas" indesejadas em minha cavidade bucal!

Uma especialista em baratas foi outro dia no Jô Soares e disse que as baratas são capazes de entrar em qualquer ambiente, pois elas são capazes de se "espremerem", assim digamos, e passar por qualquer fresta de janela ou porta. Tenha medo... muito medo! E escove os dentes!


Falando em engolir insetos, creio que em qualquer lugar, mas principalmente na amazônia: jamais ande de bicicleta com a boca aberta. Nas minhas primeiras semanas em Tefé, no trajeto de bicicleta de casa para o quartel, eu engoli ao menos dois insetos, em dias diferentes, que não me deram a mínima possibilidade de cuspí-los por terem voado diretamente para o meu esôfago. Me tornei um "respirador nasal exclusivo" sempre que subo em minha bicicleta, desde então! Rs.