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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Psiquiatria e suas especificidades

Uma grande amiga veio empolgada perguntar: "você faz psiquiatria, né? Você vai fazer aquelas coisas de psicografia e psicanálise?"




Não pude deixar de rir...


Algumas definições (segundo a Wikipédia):


- Psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da psique humana independente da psicologia, embora também inserido nesta[1][2] desenvolvido por Sigmund Freud, médico neurologista austríaco nascido em 1856 que se propõe à compreensão e análise do homem, compreendido enquanto sujeito do inconsciente e abrange três áreas:

  1. um método de investigação da mente e seu funcionamento;
  2. um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humano;
  3. um método de tratamento psicoterapêutico.[3]


- Psicografia (do grego, escrita da mente ou da alma), segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos.


E então? Estarei eu, futuro psiquiatra, a exercer estas duas nobres atribuições?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Epistaxe

Fato verídico ocorrido no meu último plantão.

Definitivamente eu não sou o médico mais ortodoxo que conheço...
Uma jovem foi ao atendimento de emergência ontem à noite com queixa de 2 episódios de sangramento pelo nariz (chamamos isso de epistaxe). Não estava tendo sangramento no momento.
Sem história de hipertensão, uso de medicamentos, uso de drogas...
Sem anomalias à inspeção visual das narinas.



Expliquei que a encaminharia para um otorrinolaringologista para uma melhor intestigação. Ela me perguntou o que fazer quando o nariz voltasse a sangrar, e quais os prováveis motivos para um sangramento nasal.

Comecei uma pequena palestra. Expliquei que hemorragia nasal é muito frequente devido à intensa vascularização da mucosa nasal (triângulo de Kiesselbach).  Que em 90% dos casos de epistaxe podem ser resolvidos facilmente aplicando-se em ambos os lados do nariz uma pressão firma e contínua acima das narinas, estando o paciente com a cabeça inclinada para frente. Que um otorrino ao identificar o local do sangramento pode utilizar de instrumentos que cauterizam a lesão impedindo novos sangramentos.

Sobre as causas, falei sobre as espontâneas, ocorridas em espirros fortes, crises de tosse, ao assoar o nariz..., os traumatismos auto-inflingidos (cutucar o nariz com o dedo),  fraturas, traumatismos intra-cranianos, hipertensão, causas inflamatórias, inalação de substâncias químicas, uso de cocaína, uso de anticoagulantes, tumores, mudança de pressão (mergulho, viagens aéreas, subir a serra), variação da umidade do ar (meses mais secos), vasculopatias, doenças sanguíneas (hemofilia, púrpura, leucemia, coagulopatias...), e então fiz um silêncio, olhei fundo nos olhos dela e disse:

- "Tem mais uma causa... não sei se eu deveria falar isso, mas eu vou falar. Implante de sondas alienígenas através das narinas."
Seguiu-me mais um instante de silêncio, eu muito sério, e a paciente começou a rir de nersoso e perguntou:
- O senhor está falando sério?
- Claro! Você esteve viajando recentemente...?
- Não! E eu durmo com a janela fechada!
- Ahannn... está vendo? Até você admite a possibilidade de abdução!
- É... não... não acredito nisso... mas pode mesmo ser verdade?
- Calma... vamos fazer uma radiografia. Se tiver algo aparecerá!
- O senhor estuda essas coisas?
- Sim! Estudo! Existem alguns casos no mundo!
- Mas acredita em vida extra-terrestre?
- Claro! Não há mais como contestar a visita de seres de outros planetas! Já sabíamos disso e agora os governos abriram seus arquivos sobre avistamentos confirmados.
- Mas  senhor lê a bíblia, não lê?
(Não entendi o contexto da pergunta, eu confesso...)
- Leio! Fique tranquila. 
- Ahhhh bom...

Solicitei a radiografia de crânio e dos seios da face. Quando a paciente voltou, mostrei a ela:
- Está vendo? Nada de diferente na sua estrutura óssea... e nada de sondas. Ela riu alto e suspirou fundo, aliviada.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ética e obrigatoriedade militar

Vejam só como as instituições não são sérias, nem éticas.
Contando os últimos 2 anos:
- Uma clínica de psiquiatria que trabalhei me deve salários.
- A Claro (telefonia) me deve dinheiro judicialmente.
- O Exército me deve dinheiro.
- Agora a UPA atrasou os salários e também me deve...

Credo! Alguém me empresta uma grana aí?



Mudando de assunto:

Acabei de ver uma reportagem com um senador, ou deputado federal (peguei a reportagem na metade), dizendo que será votada uma nova lei que tornará obrigatória de fato o realistamento militar por médicos. E a justificativa do político era de que os médicos estão concentrados no eixo sul-sudeste e devem ser levados para o interior do país (como a Amazônia) para que a população tenha acesso a atendimentos médicos.

POR FAVOR, ALGUÉM TRANSMITA O SEGUINTE RECADO AOS POLÍTICOS:

Sou ex-militar e por 1 ano servi o exército como médico do Exército no interior do Amazonas. O médico quando entra para o Exército não terá como objetivo atender a população! Isso será feito esporadicamente em algumas poucas missões. Os médicos no Exército passam a fazer parte do FUSEX, uma espécie de plano de saúde do Exército, e atenderão os militares e seus familiares, exclusivamente! Tornar obrigatório que médicos recém formados  (que já tenham servido ou que já tenham sido dispensados no passado) sirvam novamente não ajudará a população nos interiores! Compreendam isso! E o motivo de todas as outras carreiras da área de saúde terem interesse em servir e os médicos não? Simples! Salários não compatíveis! Dando 2 plantões por semana de 24 horas em um serviço de emergência eu ganho mais do que trabalhando todos os dias no Exército! E outra coisa que já ouvi muito: que deveríamos servir para "pagar a dívida que temos pela nossa formação médica, devolvendo assim à população o que ela paga de impostos". Repito: serão todos médicos do plano de saúde do Exército (FUSEX) e não médicos da população!!!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Arrancando o problema

Espero que os personagens que fazem parte desta história jamais leiam isso... ou que leiam, porque não?
Não revelarei nomes, local, ou data.

Em um plantão de emergência em que participei certa vez, chegou uma menina de uns 10 anos de idade com um alicate de cutícula cravado na sola de seu pé. Ela subiu na cama, não viu o alicate, pisou nele e o objeto penetrou de forma substancial em sua pele. A menina tinha um semblante de dor e medo. O alicate estava muito bem fixado, pendurado na sola do pé.

Se eu tivesse conduzido o caso teria ministrado um ansiolítico para a menina, feito assepsia do pé e do alicate com degermante ou iodo, faria anestesia com lidocaína na região do entorno do ponto de penetração, tentaria, a partir de então, alguma manobra leve para retirada, não conseguindo utilizaria um bisturi para abrir um orifício melhor de saída e então nesta altura teria retirado o alicate. Por fim, talvez daria alguns pontos para fechar o ferimento.

Mas não fui eu que atendi a menina. A médica colocou-a deitada numa maca, segurou o bisturi com a mão e tentou arrancá-lo de imediato com um puxão súbito... e ineficaz, fazendo a pobre garota urrar e chorar de dor. Não satisfeita, a médica continuou puxando e rodando o alicate que permanecia preso no pé da menina!!! Eu então me retirei da sala. Não vi o desfecho do atendimento. Entendam, que não foi por falta de sangue frio que não presenciei o procedimento até o final, e sim por falta de conivência com a metodologia utilizada para tal "abordagem" médica. Quem sou eu para discordar do procedimento da nobre colega... cada médico tem liberdade de ação e responde por suas consequencias, mas então, para que os recursos do hospital se a própria família poderia ter utilizado de mera tração manual? Sério, eu não entendo. E cada vez entendo menos. 

Que o universo me proteja para nunca ser atendido em um serviço de emergência! A não ser por mim mesmo... o que seria algo improvável...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Demônios!

No último domingo eu estava de plantão. À noite estava lendo sobre um avanço na Classificação Internacional das Doenças (CID - 10), que rotula, sob o código F44.3, o chamado "Estado de Transe e de Possessão". Trata-se de um transtorno caracterizado por uma perda transitória da consciência da própria identidade pessoal quanto da consciência plena do ambiente. Devem ser incluídos nesse diagnóstico somente os estados de transe involuntários e não desejados, excluídos aqueles de situações admitidas no contexto cultural ou religioso do sujeito.


Ou seja: um indivíduo que ouça e veja os espíritos, ou que incorpore espíritos "voluntariamente", não é considerado doente, nem psicótico. E o mais interessante: um indivíduo que esteja sendo obsediado, que esteja "possuído" (como nos filmes "O exorcismo de Emily Rose" ou "O exorcista"), esses também não são considerados psicóticos, e sim com uma doença, um agravo de saúde, podendo ser classificado no CID-10 dentro deste espectro. Achei isso fantástico! Muito bom.
Lembremos que eu estava no meu plantão. Fui dormir. 5 da manhã fui acordado pelo enfermeiro para avaliar um rapaz que havia se cortado. Cheguei na sala de sutura, olhei o corte na perna, com uns 5 cm de largura e meio centímetro de profundidade. Perguntei:
- Rapaz! Como você fez isso aqui?
- Tenente, se eu te contar o senhor não vai acreditar.
- Conte! Garanto que vou!
- Eu moro com meus pais. Acordei gritando e me dei conta estava com o meu terçado (facão) na mão, a bainha na outra, ainda deitado na cama, e já estava com a perna cortada e sangrando! Foi obra do demônio que me possuiu! (Com a cara transfigurada de medo).
- Fica tranqüilo, o senhor vai levar uns pontinhos, coisa rápida!

Pedi para o enfermeiro limpar a ferida enquanto eu ia rapidamente ao banheiro lavar o rosto para acordar. Caminhei até o longo corredor do Posto Médico pensando na história do demônio. Quando eu coloquei o rosto no corredor levei um rasante de um morcego de um palmo e meio de comprimento! Recuei assustado, e o morcego continuou seu vôo até o fim do corredor, desaparecendo de minha vista ao fazer a curva na recepção. Em 8 meses neste posto, nunca havia visto um morcego entrar ali. Logo pensei: foi mesmo coisa do demônio! Por que? Bem...

Para identificar a presença de uma possessão, alguns ítens são observados. Um deles é a presença de animais sinistros ou insetos junto ao "candidato". 

Se acredito nisso? Parcialmente. Sou espírita e budista. Acredito na obsessão como a influência de espíritos vingativos, mal-feitores, obcecados, viciados... enfim, numa aproximação com intenções negativas e prejudiciais na maioria das vezes. Mas que fala de obsessão, possessão, encosto... está falando da mesma coisa, mas com explicações distintas para o fenômeno. Assim como a sua forma de resolução. O exorcismo católico, ou de outras religiões (em voga mais do que nunca, veja AQUI) não é efetivo, em meu ponto de vista, como é a ação de desobsessão. Esse assunto é complexo, e não pretendo esgotá-lo em um único post!

Um amigo me perguntou: mas como você explicaria o ocorrido sem envolver explicações sobrenaturais? Falei que estava apresentando fatos. dentre as explicações, o que dizer? Epilepsia? Surto psicótico? Ou o diagnóstico que existe no Código Internacional das Doenças utilizado no mundo todo: "estado de transe ou possessão"?

Mais vale o ensinamento de meu velho mestre de psiquiatria da UFF, quando o confrontei numa das primeiras aulas do curso sobre a origem das vozes ouvidas pelos psicóticos: "um bom psiquiatra dá o anti-psicótico e encaminha para um bom centro espírita!"



Crux sacra sit mihi lux 

Non draco sit mihi dux

Vade retro satanás
Nunquam suade mihi vana
Sunt mala quae libas
Ipse veneno bibas

sexta-feira, 19 de março de 2010

Anil

Morar sozinho às vezes não é fácil...
Principalmente se você é homem, solteiro, longe da família, longe de casa, no meio da Amazônia, sem máquina de lavar, sem liquidificador, etc.

Coisas que eu detesto: lavar roupa, e mais do que isso, passar roupa! Eu voltaria no tempo e mataria a primeira pessoa que inventou que os tecidos devem ser passados! Diabos! Deveríamos deixá-los amassados ao natural... algo muito mais prático! Rs.

Como médico, e também no Exército, utilizo jaleco branco para o atendimento. E claro, esta é uma peça de deve estar sempre bem lavada e passada. Antes, no Rio, era só jogar na máquina de lavar e pronto. Mas aqui...

Outro dia eu cheguei em casa e passei no mercadinho que fica embaixo do apartamento onde estou morando. Fui conversar com a dona do mercadinho, chamada Sula.

- Sula, me dá uma ajuda? O que eu posso fazer para deixar meu jaleco mais branco quando eu for lavá-lo?
- Simples! Mistura álcool na água e usa anil.
- Álcool? Anil?
- É! Na água com sabão, coloca um pouco de água, depois enxagua com o anil.
- Tá. Coloco o jaleco na água com sabão, jogo álcool...
- Não! Não! Pega o balde, coloca água, dissolve bem o sabão em pó, e coloca um pouco de água. Só depois coloca o jaleco, e deixa de molho até ficar limpo!
- Até ficar limpo? Isso não vai dar certo! Quanto tempo de molho?
- Ah... você vai olhando e tira quando estiver limpo!
- Não, Sula, não vai dar certo. me diz um tempo! Eu cronometro e tiro o jaleco!
- Tá bom.... (rindo) umas duas horas. Depois enxagua no anil.
- Anil? Tá... o que é isso?
- Essa pedrinha azul aqui. (pega uma pedra azul menor que uma caixa de fósforo). Dissolve 1/4 dessa pedra em um balde de água. Aí enxagua o jaleco lá!
- Peraí... eu lavo o jaleco na água e sabão e álcool por 2 horas, tiro do balde, passo uma água, depois deixo de molho na água com anil?
- Não! Não deixa de molho... só enxagua! Só molha ele ali dentro por um minutinho.... e pronto! O anil vai deixar o branco com aquele reflexo azul bonito!
- Sula... Eu não posso manchar meu jaleco de azul! Ele tem que ficar branco! Eu não vou colocar ele numa solução azul! Vai manchar!
- (rindo muito) Não vai não! Vai ficar um branco bonito! Você vai ver!


A pedra de anil custou R$0,50!
Morri de medo ao colocar meu jaleco na solução azul...
Mas não é que ele ficou bem mais branco?

Mas sinceramente... não vejo a hora de ter uma máquina de lavar à disposição de novo!

Fui pesquisar sobre essa tal pedrinha azul....
(Fonte: baseado em http://estelanaurania.blogspot.com/2010/01/azul-anil-azul-3.html)


O anil é um corante extraído das folhas da planta (anileira). O anil é cultivado no Brasil, Espanha e na África, no Senegal, no Egipto, na Ásia, em Manila e Java. O fato de se comercializar em pó ou em pedra, fez acreditar durante muito tempo que se tratava de um mineral e não de um vegetal.

O corante natural é obtido, há vários milênios, a partir de plantas como Isatis tictorum e a Indigofera tinctorum,L.. A primeira, comum em climas temperados, produz o “pastel” ou o “ouro azul”, fonte de riqueza de algumas regiões europeias até ao fim do século XVI. Depois o pastel dá lugar ao azul de espécies de Indigofera, provenientes da Índia. Nas Américas, a planta era usada pelos nativos para tingir fios de algodão. Enquanto que noutras regiões os colonizadores procuraram aprender a técnica de produção de tinta azul, no Brasil, a presença da planta nativa no litoral, parece não ter chamado a atenção dos portugueses até finais do século XVII. Um século depois, no entanto, já existiam textos em que se discutia a preparação do anil.
A produção exigia passos razoavelmente conhecidos: partes da planta eram colhidas, geralmente no início da floração, e colocadas num tanque destinado à fermentação. Esse tanque comunicava com um segundo, para onde era transferido apenas o líquido proveniente da fermentação. Aí, este líquido era “batido” durante várias horas, até que dele era se separasse um sólido azul, que era recolhido e posto a secar. O material seco, na forma de “pedras”, era usado para tingir ou branquear fios e tecidos de lã, algodão e seda. Segundo o que se pensava na época, a fermentação promovia a reunião das partículas corantes, daí resultando um líquido verde (mistura de azul e amarelo). O método de “bater” o líquido fermentado, fazia com que as partículas corantes azuis se separassem das amarelas, depositando-se no fundo do segundo tanque.
Hoje, em termos químicos, podemos dizer que o índigo não existe na planta. É a indicona (um glicosídio) que fermenta, produzindo glicose e um leucocomposto que por oxidação origina o corante azul. No século XVIII, centenas de fábricas funcionavam no Rio de Janeiro, na Baía e no Pará. Nesta altura, a quantidade de corante importada por Portugal era suficiente para suprir as necessidades das nossas fábricas e ainda sobrava produto para reexportação. Mas, no século XIX, o comércio começou a declinar. O anil brasileiro não conseguia competir com o indiano, que chegava a Portugal a preços mais baixos. Além disso, o produto brasileiro começava a ficar desacreditado por reclamações de adulteração e má qualidade.
A Basf é hoje responsável por cerca de metade da produção mundial de índigo sintético, sendo poucos os que se dedicam, de forma alternativa, á preparação de índigo de origem vegetal. Mesmo as “pedras de anil”, tão populares há poucas décadas, já não são usadas para clarear a roupa.

OBS - exceto em Tefé, onde eu uso!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O que é que há, velhinho!

Estou chegando em minha aula de violão quando passo por um dos alunos da aula anterior, que me cumprimenta sorridente:
- Oi TIO!


Pois é... quem diria...
O rapaz tinha provavelmente uns 14 ou 15 anos. Eu me dou conta então que já tenho quase o dobro da idade dele. Ainda ontem eu estava no colégio, ou na faculdade! Ainda não concretizei que já sou médico, oficial do exército, com quase 30 anos na cara, e que para a garotada, já sou um tio! Espero não estar fazendo um post daqui a alguns anos, por terem me chamado de vô!

Algum dia nos vemos como velhos? Acho que não. Espero chegar aos 90, me sentindo com 15! Andando de bicicleta e fazendo aula de violão! Rs.

Li uma vez num livro: "O tempo e os patos só mudam as penas!"




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um dia de House


(House: série de televisão onde um dos personagens, o Dr. House, é um grande diagnosticador de casos médicos que ninguém mais solucionou)

Outro dia entra no meu consultório um militar mancando, risonho, muito simpático, e seguiu-se o seguinte diálogo:

- Tenente, me ajuda! To com muita dor na perna! Eu acho que desloquei minha perna, ela ta fora do lugar!




(Eu) – Onde é a dor?

- Aqui! (Aponta para o meio do glúteo esquerdo) E a dor desce aqui por trás. Tenente! Por favor! Eu desloquei minha perna!

(Eu) – Aposto que o senhor guarda a sua carteira de dinheiro no bolso esquerdo.

- Sim... como sabe?

(Eu) - E aposto que por algum motivo passou algumas horas sentado sobre ela.

- Como o senhor sabe disso? Eu acabei de voltar de uma viagem de 12 horas de barco, e para não roubarem minha carteira, deixei no bolso de trás da calça, e vim sentado nela a viagem toda!

(Eu) – Muito bem! Sua perna não está deslocada. Você comprimiu o seu nervo ciático com a carteira durante a viagem! Por isso a dor!

O paciente começou a rir descontroladamente, aliviado por não ter deslocado a perna, e pasmo com o meu diagnóstico.

(Eu) – Nunca mais sente na sua carteira, Ok?

Prescrevi uma ampola de diclofenaco Intra Muscular (um antiinflamatório).

No dia seguinte o militar volta para me agradecer:

- Tenente! Uma hora depois da injeção a dor sumiu! O senhor tava certo! Olha só! (E batia com a perna no chão enquanto ria de forma muito agradável e amigável)


Eu entro no consultório de minha amiga e pergunto:

(Eu) - Caso clínico: Homem de 38 anos com dor no glúteo esquerdo que irradia para a perna. Qual o diagnóstico?

(Minha amiga) – Não faço a menor idéia...

(Eu) – Compressão pela carteira no bolso! Não é óbvio?

(Minha amiga) – De onde você tirou isso? Eu nunca pensaria nisso! Você virou o House, agora?

Por incrível que pareça, aprendi isso durante uma aula de Kung Fu, com meu saudoso Mestre Anselmo. Lembro dele contar um caso semelhante certa vez. E guardei lá no fundo da memória!

Medicina vai além dos bancos da faculdade!


domingo, 13 de dezembro de 2009

Espiral no céu da Noruega

No último dia 10 de dezembro deste ano, no norte da Noruega, por volta das 7:45 no horário local (4:45 em Brasília), uma luz espiral azul, “maior que a Lua”, foi observado, fotografado e filmado por diversas pessoas.

O objeto não identificado surgiu deixando um rastro luminoso azul, mas instantes depois parou e ficou girando no mesmo lugar, formando uma espiral branca. Alguns sites dizem que o fenômeno durou 2 minutos, outros falam em 12 minutos.

Não há explicação oficial sobre o acontecimento.

Várias teorias surgiram para explicar o estranho fenômeno. A tentativa por parte dos cientistas locais está em dizer que teria sido a falha no teste de um míssel Bulava, disparado por um submarino nuclear Russo no Mar Branco. Erik Tandberg, consultor do Centro Espacial da Noruega, disse que a agência foi inundada com telefonemas sobre a origem da luz. Dentro de horas ele disse que a agência concluiu que era um míssil russo falho. Tandberg disse que uma combinação de circunstâncias fizeram a luz ficar claramente visível. A cor azul vinha de gases do míssil iluminados pelo Sol; e o aspecto do céu, muito claro e frio, ajudou na visualização. O Ministério da Defesa da Rússia confirmou que a Marinha do país lançou um míssil no mesmo dia, e que ele falhou no terceiro estágio de sua trajetória. Também informou que o míssil partiu do submarino nuclear Dmitry Donskoi.

Mas o ministério russo não comentou sobre o local exato do veículo no momento do disparo e se recusou a fazer qualquer conexão com a luz misteriosa. Por enquanto, nenhuma autoridade militar russa se manifestou sobre o caso.

Eu gostei do comentário deste americano:

The missile theory is that a submarine, the Dmitri Donskoy, launched the Bulava missile from the White Sea early that morning. The attached picture 1 was taken in Tromso, Norway. So the people that claim this is a missile want me to believe that if I were to follow the blue trail to its source it would be 700 miles away - in the White Sea? The atmosphere is about 30 miles thick, therefore, the missile traveled at an angle that put it 700 miles away, before it reached 30 miles up? Do you realize how shallow of an angle that is? If I were to look up details about missiles, I guarantee intercontinental ballistic missiles (ICBM) are not launched at those types of angles.
theworldriver.blogspot (dot com) - John, Boulder, CO - USA

Outras explicações falam em lasers (plausível, se o céu estivesse com neblina ou nuvens), canhões de luz (idem ao anterior), ou a aparição de um OVNI (eu sempre voto nesta opção!).

Os mais sensacionalistas dizem que foi um “sinal”, relacionam com o fim do mundo e com “2012”. Mas o melhor comentário que eu ouvi: “isso foi Deus dando descarga na Terra!”

No dia seguinte ao fato, na mesma cidade, seria a entrega do Nobel da Paz ao presidente americano, Barak Obama (eu me recuso a comentar esse fato).

Agora, meus caros leitores, pensemos bem: quando vocês já viram um míssel explodir e causar com os seus gases uma espiral de luz que gira mantendo um centro fixo, e que abre a fecha seu foco?

Vendo as imagens eu sou obrigado a ficar com a hipótese do laser/canhão de luz. Ou ninguém notou o feixe vindo de um ponto fixo na terra, como no “sinal do Batman”?

Tirem suas próprias conclusões:



sábado, 12 de dezembro de 2009

Atendente e escatologia


Fiquei até 4 da manhã vendo um filme (ruim) na globo. Como hoje era sábado e eu não tinha obrigações no quartel, previ dormir até meio dia.
Nove da manhã toca um de meus celulares, o da claro, com o número do Rio (o outro é de Tefé).
Olho no visor e não reconheço o número. Atendo.
- Bom dia! O senhor gostaria de contratar uma linha fixa da Oi?
(Penso num palavrão, mas respondo educadamente...)
- Não, obrigado. Não estou no Rio, estou numa cidade no interior da Amazônia em serviço para o exército.
(Ele deve ter pensado: "nunca ouvi uma desculpa tão absurda!" Ele continua...)
- Então não quer contratar nosso serviço de celular?
(Eu, com sono, irritado...)
- Não, meu amigo, tô no meio da selva com o exército, já tenho celular, e pelo próximo ano não tenho como contratar nada!
(Fim do telefonema)

Raios! Perdi o sono depois disso e não consegui voltar a dormir.
Malditos vendedores de serviços por telefone.

Ok... essa história não tem muita graça! Mas é minha forma de desabafar!

Mudando de assunto...
Lembrei do vídeo abaixo esses dias. Em parte pelo fato de que em Tefé, uma das coisas que mais atendemos são as gastroenterites (diarréias e vômitos). Ontem mesmo um paciente senta-se no consultório e me fala com naturalidade:
- "Doutor, desde essa noite eu tô cagando muito! Tudo mole..."
Um vídeo escatológico para vocês.



Dose única


Outro dia um paciente veio tirar uma dúvida comigo (fato real)

- Doutor, outro dia eu tive uma dor aqui (aponta para a região inguinal) e me deram uma injeção de um remédio que disseram que servia pra muita coisa, e que me deixou sem dor nenhuma! Eu queria saber que remédio foi esse. Ele se chamava "dose única"

(Fiz alguns segundos de silêncio reflexivo, com a testa franzida)

- Não lembra de mais nada no nome do remédio não?

- O nome era esse, doutor! Dose única! O senhor não sabe que remédio é esse?

- Tem muitas medicações desta maneira, em dose única... deve ter mais algum nome...

- Não doutor, era "dose única" o nome. Que pena que o senhor não conhece...!
(É mesmo uma pena! Rs...)



Pensamento do dia:

"Quando as portas da percepção forem abertas, veremos tudo como realmente são: infinitas"

(Baseado em citação de William Blake e Aldous Huxley).






quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Perigos da selva



Hoje cedo eu conversava com uma conhecida e comentei que provavelmente farei nas próximas semanas, em Manaus ou em Tefé (AM) o curso de adaptação/sobrevivência na selva. Ela então, com cara de horror, comentou:

"Meu Deus! E se você encontrar com uma cobra, um leão ou um tigre, o que você faz!"

Eu preferi permanecer em silêncio...

Calma leão. Se eu te encontrar na Amazônia te mando de volta pra África!