
Ok, lá vamos nós para a décima edição do BBB. Não acredito que assisti às 10 edições! Nem todas com a mesma assiduidade, mas sempre acabo vendo alguma coisa. Estávamos discutindo hoje no posto médico se assistimos com a desculpa de analisar o comportamento humano no confinamento, ou pelo simples fato das mulheres bonitas. Claro que são ambos os motivos! E vou discorrer rapidamente sobre a questão comportamental.
O programa possui uma fórmula, um molde. A escolha dos participantes obedece a um padrão. O mais óbvio diz respeito a selecionar sempre personagens de classes determinadas: mulheres "gostosas" (me perdoem as feministas), homens fortes sem cérebro (desculpe, sou um nerd), um negro, um homossexual, um "revoltado", ou desajustado socialmente, e assim por diante. Reparem nas 10 edições, e vão achar sempre os personagens equivalentes em cada uma delas. Isso dá um aspecto de igualdade e oportunidade a diversos grupos sociais, como "cotas". Mas não é só isso. Todos, ou a maioria dos participantes, precisam ter um padrão hipomaníaco, hipertímico ou serem "bipolares leves". E para vocês comprenderem, vamos recorrer à minha futura especialidade, a psiquiatria.
Já observaram? Na vida real vocês se comportam assim? Mesmo em um ambiente de competição e exposição, em poucos minutos já estão se abraçando, pulando, dançando, se tornam os melhores amigos do mundo... Ou na hora da separação fazem um dramalhão mexicano, por mais incrível que pareça, verdadeiramente e de forma genuina? Pulam nús na piscina, gritam alto, acordam quicando... Pois é.
Nestes estágios do que podemos chamar de humor, podemos estabelecer a seguinte escala "crescente":
Eutimia ("normal") - Hipertimia - Hipomania - Mania
E nessa escala observamos justamente fatores como o afeto, os gastos, a exposição à riscos, o contato e o convívio social, a comunicação verbal, o pensamento, as relações afetivas, o visual, o estilo de dirigir...
Para exemplificar, vou descrever um pouco do hipomaníaco: exibicionista, exagerado, dramático, expansivo, arrogante, enérgico, pouco sono, impulsivo, arrisca-se desnecessariamente, distribui abraço e beijos, briga por pequenos motivos, domina a conversa, não aceita posições contrárias, fala com volume alto, usa palavrões, é intimidador, acelerado, polêmico, grande apetite sexual, muitos parceiros, chama atenção pelas roupas que usa por serem vibrantes, ousadas, sensuais, alternativo...
Você escolheria um hipomaníaco para o BBB? CLARO QUE SIM!
Para uma leitura excelente sobre bipolaridade e seus espectros, recomendo o livro "Temperamento Forte e Bipolaridade", do psiquiatra brasileiro Diogo Lara, de onde baseei minha explanação.
Ainda no mesmo tema mas mudando de assunto:
Vendo essa edição do BBB, percebi que os dois homossexuais da edição, além dos maneirismos relacionamos ao gênero (sim, na sexualidade avaliamos o sexo e o gênero), pude observar que ambos tinham seus peitos, braços e pernas depilados. Até aí tudo bem. Minha surpresa foi reparar que todos os outros participantes, os heterossexuais, também são todos depilados! Esse é o novo padrão metrossexual ditado pela mídia?

Estou aqui para defender o padrão hirsuto de masculinidade , como podemos observar em Sean Connery como o lendário 007!
Então, inicio a campanha: homens peludos, mulheres depiladas! (Que terrível isso... desculpem caros leitores!)

Já que coloquei o Sean Connery sem camisa no meu blog, vou ter que equilibrar, colocando a belíssima Fernanda Vasconcelos...
:-)
Lembrei de uma coisa, que um professor psicanalista certa vez me falou. Se não me falha a memória...
Existe uma fase na infância onde a criança ainda não compreendeu a sua sexualidade. Logo em seguida vem uma etapa em que ela está definindo sua sexualidade, mas ela é baseada em conceitos aprendidos com pai, mãe, etc, e não há ainda uma introjeção do seu real gênero. É nessa fase que, se você chamar um menino de menina, ele fica profundamente incomodado, chora, fica bravo, pois há um medo a respeito de ele ser ou não o que estão falando. Essa fase passa, e o gênero define-se. As pessoas que "amadureceram" neste sentido, ou seja, definiram sua opção sexual sem dúvidas.
Chame de "viadinho" alguém "bem resolvido" com sua sexualidade, e o máximo que vai conseguir é uma piadinha de volta, sem ofensas.
Mas, porém, entretanto, contudo todavia, ao chamar de "viadinho" determinadas pessoas, elas podem reagir mal. Serão agressivas verbalmente e até corporalmente (grande parte das pessoas que reagem assim são fortes, malhados, lutadores... Seria uma forma reativa inconsciente?). O motivo? Durante a infância, por algum motivo, não obtiveram de suas vivências o necessário para o amadurecimento da definição e certeza, lá no fundo, de sua sexualidade. O brutamontes se sente como o garotinho, inseguro, por achar que o fato de outra pessoa fazer um comentário pode mudar algo ou dar a entender o que ele não quer ou não tem 100% de certeza.
Entenderam?
Tô escrevendo demais hoje. E temas polêmicos... por favor, sou um livre pensador! Sem preconceitos!