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domingo, 11 de março de 2012

Macacos me mordam...

"Um velho dito afirma que, se colocássemos infinitos macacos diante de computadores, cedo ou tarde um deles escreveria uma obra de Shakespeare. Para testar a hipótese, cientistas da Universidade de Plymouth, Inglaterra, deram um computador a seis macacos. Em um mês, eles preencheram cinco páginas de texto, quase somente com letras "S". Os teclados ficaram cheios de cocô, algo não previsto pela teoria." (Fonte: revista Super interessante nº 189)
 
- Um ex-professor de geografia - já falecido, inclusive - que eu tive, dizia que se colocasse um macaco com um lápis em uma prova de múltipla escolha junto com a nossa turma, ele tinha certeza de que a maior nota seria do macaco. Ele afirmava que o macaco acertaria mais questões sem pensar do que qualquer um de nós raciocinando em cima das questões que ele criava para as nossas provas, pois nossos próprios raciocínios nos induziam ao erro.


Hoje fiz um concurso público. Português, história e geografia do município e a específica de Psiquiatria estavam fáceis. No entanto, me lembrei da teoria do macaco ao fazer as questões de "noções de administração pública municipal". Na certa um macaco teria mais facilidade  para acertar aquelas questões...!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Redes sociais - uma reflexão

Outro dia eu estava no divã de minha analista quando notei que eu já havia citado naquela sessão dois eventos ocorridos comigo no Facebook. Nesta semana no ambulatório de psiquiatria atendi uma paciente que contou eventos ocorridos na mesma rede social e que a levaram a uma desestabilização psíquica. Fiquei muito pensativo sobre este novo espaço vivencial que passa a estar presente nas narrativas psicopatológicas de nossos pacientes - e nas nossas próprias. O mundo virtual tornou-se uma extensão de nossas vidas e para os nossos conflitos. As relações sociais estão cada vez mais expostas e flutuam numa realidade paralela, para alguns  tão mais complexa em interação com outros indivíduos do que em suas próprias vidas "reais". A escuta por parte do profissional da área psi deve ser cautelosa, sendo necessário empatia (capacidade de colocar-se no lugar do outro indivíduo) e conhecimento sobre a nova realidade que nos absorve. Estamos vivendo, sem nos darmos conta, em um novo modelo  que possui implicações sobre a maneira como nos expressamos ao mundo externo, como recebemos estímulos, sejam positivos ou geradores de conflitos e frustrações, e de como nosso comportamento social sofre influências. Certa vez ouvi de um psicanalista um conceito, uma teorização, sobre a extensão da consciência. Ele dizia que quando duas pessoas estão conversando, suas consciências estão projetadas no centro espacial entre as duas pessoas. Ali elas, as consciências, se encontram e se comunicam. Trago este conceito para a realidade do mundo virtual a que estamos nos expondo na internet e nas redes sociais. Utilizar estes meios é projetar sua "consciência" para onde milhares estão tendo acesso. É acessar milhares e milhares de outras consciências e de alguma forma se interconectar a elas. Isso não é pouca coisa. Nesta exposição pessoal absorve-se uma infinidade de informações desnecessárias, entra-se em contato com idéias, problemas,   ordens e desordens, conteúdo e lixo, e ao mesmo tempo, coloca-se um pouco de si para os demais. O que estamos absorvendo? O que estamos dando de contribuição para este novo universo? O quanto podemos estar nos deteriorando, ou de que forma pode haver nisso algo de construtivo? O fato desse novo mundo estar se mostrando cada vez mais presente na sala do psiquiatra ou no divã do analista é algo para se pensar e muito seriamente. O mundo que nos cerca, o real, o do nosso próprio imaginário, e agora o virtual, tornam-nos mais frágeis e ainda mais distantes da sensação subjetiva de bem estar e felicidade ao qual passamos a vida buscando.

domingo, 31 de julho de 2011

As 5 fases do luto


Negação - Raiva/Revolta - Barganha - Depressão - Aceitação


Uma apologia às cinco fases do luto segundo Kübler-Ross



O Modelo de Kübler-Ross propõe uma descrição de cinco estágios discretos pelo qual as pessoas passam ao lidar com a perda, o luto e a tragédia. Por exemplo, pacientes com doenças terminais passam por esses estágios.
O modelo foi proposto por Elisabeth Kübler-Ross em seu livro On Death and Dying, publicado em 1969. Os estágios se popularizaram e são conhecidos como Os Cinco Estágios do Luto (ou da Dor da Morte, ou da Perspectiva da Morte).
Kübler-Ross originalmente aplicou estes estágios para qualquer forma de perda pessoal catastrófica, desde a morte de um ente querido e até o divórcio. Também alega que estes estágios nem sempre ocorrem nesta ordem, nem são todos experimentados por todos os pacientes, mas afirmou que uma pessoa sempre apresentará pelo menos dois.
Outros notaram que qualquer mudança pessoal significativa pode levar a estes estágios. Por exemplo, advogados criminalistas de defesa experientes estão cientes de que réus que estão enfrentando a possibilidade de punições severas com pouca possibilidade de evitá-las freqüentemente experimentam estes estágios, sendo desejável que atinjam o estágio de aceitação antes de se declararem culpados.

Baseado em http://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_de_Kübler-Ross

domingo, 10 de julho de 2011

Há algum tempo eu escrevi um post chamado "Desonestidade no dia-a-dia".
Incrível como as pessoas em toda parte mantém atitudes desonestas a todo momento, em todos os lugares.

Outro dia fui comprar uma camisa que custava R$39,90. Entreguei R$ 40,00 para a vendedora. Ela pegou o dinheiro, se virou, e foi arrumar a bancada da loja. Eu continuei parado olhando para ela. Ela me olhou e perguntou se eu queria mais alguma coisa. Eu disse: "A blusa não custa R$39,90?" E ela, olhando para os R$40,00 em suas mãos me responde: "Tá certo por quarenta". E eu, bravo: "Desde quando 39,90 é 40?"

Em outra ocasião, num posto de gasolina, eu peço para colocar R$20,00 de gás no carro. O rapaz pára de abastecer em R$ 19,80... vem até mim, pega a nota de 20 e agradece.

Em um plantão que eu dou em alguma emergência do Brasil, o(a)s outro(a)s médico(a)s disputam quem atende menos, ou quem some mais do hospital. Eu atendendo feito um louco, quase perdendo a hora do almoço, almoçando em 15 minutos para voltar para o atendimento... uma das colegas sai da unidade para fazer compras, a outra desaparece, volta de cabelo molhado... Sem falar que ao chegar num determinado setor, descubro pacientes sem prescrição, sem serem vistos nas últimas 7 horas, sendo que neste intervalo 2 turnos de médicos haviam passado por ali...

Só acontece comigo?
Estou horrorizado.
Muita coisa acontece e nem podemos contar por razões éticas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Desonestidade no dia-a-dia

Já notaram como estamos rodeados por pessoas desonestas?
E não tentem achar a desonestidade somente em grandes feitos como em verbas desviadas, assaltos à mão armada, golpes por telefone...
Nossa sociedade é repleta de pessoas que são desonestas em pequenas atitudes do dia-a-dia, e nem se dão conta, da mesma forma que nós mesmos ignoramos, ou relevamos tais atitudes.

Vamos a um exemplo prático.
Eu hoje estava no supermercado. Todas as filas dos caixas estavam muito cheias. Nessas horas gosto de observar o comportamento das pessoas ao meu redor. Poderia citar uma dúzia de atitudes interessantes nos que estavam no entorno, mas vamos àquela que representou, dentro de minha análise, uma ação aparentemente inocente, mas que carrega no fundo uma prática para tirar vantagem. Uma senhora com dois filhos e um carrinho. Colocou um filho em cada fila e ficou em uma terceira. Desta maneira, reuniria a família novamente na fila que chegasse mais rápido no caixa. Analisemos esta atitude.
Ao invés de escolher uma fila, e aguardar, como toda a população que estava no supermercado, a sua vez de ser atendida, ela preencheu 3 filas distintas aumentando o tamanho de duas filas desnecessariamente,  fazendo com que outras pessoas que também estavam escolhendo filas não optassem por elas por acharem-na grandes. Ao optar por sair da fila lenta e levar seu carrinho para a fila onde a criança estava, faz aquela fila crescer com o "novo" carrinho, e faz com que todas as pessoas que estão atrás dela sintam raiva, pois escolheram uma fila com poucas compras à sua frente e de repente surge um carrinho cheio "do nada".  

Não estou sendo chato. Viver em sociedade é seguir certas regras de boa convivência.

É como o "eu estava aqui na sua frente", quando vamos ao banco. Oras, eu também tenho coisas a fazer, não posso ir "passear" ou resolver outras coisas e deixar meu lugar virtual reservado. Imagine se todos saísse, ao mesmo tempo e deixassem seus lugares reservados? Idiota esse pensamento? Claro que não! Se todos não podem, porque um pode? Regras e exceções andam de mãos dadas.

Pensem sempre se suas atitudes não prejudicam vocês próprios, aos outros, e a ambos (vocês e os outros). E ainda assim, reflitam se esta opinião é só sua, ou seria a mesma do ponto de vista de todas as pessoas. Nem sempre nosso ponto de vista está desprovido de erros. Quando a vantagem pende ao nosso lado, sempre encontramos justificativas muito bem arrumadas para nos embasarmos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

BBB10


Ok, lá vamos nós para a décima edição do BBB. Não acredito que assisti às 10 edições! Nem todas com a mesma assiduidade, mas sempre acabo vendo alguma coisa. Estávamos discutindo hoje no posto médico se assistimos com a desculpa de analisar o comportamento humano no confinamento, ou pelo simples fato das mulheres bonitas. Claro que são ambos os motivos! E vou discorrer rapidamente sobre a questão comportamental.

O programa possui uma fórmula, um molde. A escolha dos participantes obedece a um padrão. O mais óbvio diz respeito a selecionar sempre personagens de classes determinadas: mulheres "gostosas" (me perdoem as feministas), homens fortes sem cérebro (desculpe, sou um nerd), um negro, um homossexual, um "revoltado", ou desajustado socialmente, e assim por diante. Reparem nas 10 edições, e vão achar sempre os personagens equivalentes em cada uma delas. Isso dá um aspecto de igualdade e oportunidade a diversos grupos sociais, como "cotas". Mas não é só isso. Todos, ou a maioria dos participantes, precisam ter um padrão hipomaníaco, hipertímico ou serem "bipolares leves". E para vocês comprenderem, vamos recorrer à minha futura especialidade, a psiquiatria.

Já observaram? Na vida real vocês se comportam assim? Mesmo em um ambiente de competição e exposição, em poucos minutos já estão se abraçando, pulando, dançando, se tornam os melhores amigos do mundo... Ou na hora da separação fazem um dramalhão mexicano, por mais incrível que pareça, verdadeiramente e de forma genuina? Pulam nús na piscina, gritam alto, acordam quicando... Pois é.

Nestes estágios do que podemos chamar de humor, podemos estabelecer a seguinte escala "crescente":

Eutimia ("normal") - Hipertimia - Hipomania - Mania

E nessa escala observamos justamente fatores como o afeto, os gastos, a exposição à riscos, o contato e o convívio social, a comunicação verbal, o pensamento, as relações afetivas, o visual, o estilo de dirigir...

Para exemplificar, vou descrever um pouco do hipomaníaco: exibicionista, exagerado, dramático, expansivo, arrogante, enérgico, pouco sono, impulsivo, arrisca-se desnecessariamente, distribui abraço e beijos, briga por pequenos motivos, domina a conversa, não aceita posições contrárias, fala com volume alto, usa palavrões, é intimidador, acelerado, polêmico, grande apetite sexual, muitos parceiros, chama atenção pelas roupas que usa por serem vibrantes, ousadas, sensuais, alternativo...
Você escolheria um hipomaníaco para o BBB? CLARO QUE SIM!

Para uma leitura excelente sobre bipolaridade e seus espectros, recomendo o livro "Temperamento Forte e Bipolaridade", do psiquiatra brasileiro Diogo Lara, de onde baseei minha explanação.



Ainda no mesmo tema mas mudando de assunto:

Vendo essa edição do BBB, percebi que os dois homossexuais da edição, além dos maneirismos relacionamos ao gênero (sim, na sexualidade avaliamos o sexo e o gênero), pude observar que ambos tinham seus peitos, braços e pernas depilados. Até aí tudo bem. Minha surpresa foi reparar que todos os outros participantes, os heterossexuais, também são todos depilados! Esse é o novo padrão metrossexual ditado pela mídia?


Estou aqui para defender o padrão hirsuto de masculinidade , como podemos observar em Sean Connery como o lendário 007!

Então, inicio a campanha: homens peludos, mulheres depiladas! (Que terrível isso... desculpem caros leitores!)






Já que coloquei o Sean Connery sem camisa no meu blog, vou ter que equilibrar, colocando a belíssima Fernanda Vasconcelos...


:-)




Lembrei de uma coisa, que um professor psicanalista certa vez me falou. Se não me falha a memória...

Existe uma fase na infância onde a criança ainda não compreendeu a sua sexualidade. Logo em seguida vem uma etapa em que ela está definindo sua sexualidade, mas ela é baseada em conceitos aprendidos com pai, mãe, etc, e não há ainda uma introjeção do seu real gênero. É nessa fase que, se você chamar um menino de menina, ele fica profundamente incomodado, chora, fica bravo, pois há um medo a respeito de ele ser ou não o que estão falando. Essa fase passa, e o gênero define-se. As pessoas que "amadureceram" neste sentido, ou seja, definiram sua opção sexual sem dúvidas.
Chame de "viadinho" alguém "bem resolvido" com sua sexualidade, e o máximo que vai conseguir é uma piadinha de volta, sem ofensas.
Mas, porém, entretanto, contudo todavia, ao chamar de "viadinho" determinadas pessoas, elas podem reagir mal. Serão agressivas verbalmente e até corporalmente (grande parte das pessoas que reagem assim são fortes, malhados, lutadores... Seria uma forma reativa inconsciente?). O motivo? Durante a infância, por algum motivo, não obtiveram de suas vivências o necessário para o amadurecimento da definição e certeza, lá no fundo, de sua sexualidade. O brutamontes se sente como o garotinho, inseguro, por achar que o fato de outra pessoa fazer um comentário pode mudar algo ou dar a entender o que ele não quer ou não tem 100% de certeza.

Entenderam?

Tô escrevendo demais hoje. E temas polêmicos... por favor, sou um livre pensador! Sem preconceitos!