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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Psiquiatria e suas especificidades

Uma grande amiga veio empolgada perguntar: "você faz psiquiatria, né? Você vai fazer aquelas coisas de psicografia e psicanálise?"




Não pude deixar de rir...


Algumas definições (segundo a Wikipédia):


- Psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da psique humana independente da psicologia, embora também inserido nesta[1][2] desenvolvido por Sigmund Freud, médico neurologista austríaco nascido em 1856 que se propõe à compreensão e análise do homem, compreendido enquanto sujeito do inconsciente e abrange três áreas:

  1. um método de investigação da mente e seu funcionamento;
  2. um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humano;
  3. um método de tratamento psicoterapêutico.[3]


- Psicografia (do grego, escrita da mente ou da alma), segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos.


E então? Estarei eu, futuro psiquiatra, a exercer estas duas nobres atribuições?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Redes sociais - uma reflexão

Outro dia eu estava no divã de minha analista quando notei que eu já havia citado naquela sessão dois eventos ocorridos comigo no Facebook. Nesta semana no ambulatório de psiquiatria atendi uma paciente que contou eventos ocorridos na mesma rede social e que a levaram a uma desestabilização psíquica. Fiquei muito pensativo sobre este novo espaço vivencial que passa a estar presente nas narrativas psicopatológicas de nossos pacientes - e nas nossas próprias. O mundo virtual tornou-se uma extensão de nossas vidas e para os nossos conflitos. As relações sociais estão cada vez mais expostas e flutuam numa realidade paralela, para alguns  tão mais complexa em interação com outros indivíduos do que em suas próprias vidas "reais". A escuta por parte do profissional da área psi deve ser cautelosa, sendo necessário empatia (capacidade de colocar-se no lugar do outro indivíduo) e conhecimento sobre a nova realidade que nos absorve. Estamos vivendo, sem nos darmos conta, em um novo modelo  que possui implicações sobre a maneira como nos expressamos ao mundo externo, como recebemos estímulos, sejam positivos ou geradores de conflitos e frustrações, e de como nosso comportamento social sofre influências. Certa vez ouvi de um psicanalista um conceito, uma teorização, sobre a extensão da consciência. Ele dizia que quando duas pessoas estão conversando, suas consciências estão projetadas no centro espacial entre as duas pessoas. Ali elas, as consciências, se encontram e se comunicam. Trago este conceito para a realidade do mundo virtual a que estamos nos expondo na internet e nas redes sociais. Utilizar estes meios é projetar sua "consciência" para onde milhares estão tendo acesso. É acessar milhares e milhares de outras consciências e de alguma forma se interconectar a elas. Isso não é pouca coisa. Nesta exposição pessoal absorve-se uma infinidade de informações desnecessárias, entra-se em contato com idéias, problemas,   ordens e desordens, conteúdo e lixo, e ao mesmo tempo, coloca-se um pouco de si para os demais. O que estamos absorvendo? O que estamos dando de contribuição para este novo universo? O quanto podemos estar nos deteriorando, ou de que forma pode haver nisso algo de construtivo? O fato desse novo mundo estar se mostrando cada vez mais presente na sala do psiquiatra ou no divã do analista é algo para se pensar e muito seriamente. O mundo que nos cerca, o real, o do nosso próprio imaginário, e agora o virtual, tornam-nos mais frágeis e ainda mais distantes da sensação subjetiva de bem estar e felicidade ao qual passamos a vida buscando.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Alotriofagia

Na avaliação de um paciente com alotriofagia (perversão do apetite, com ingestão de objetos nocivos, como por exemplo, pedras) que acompanho, fui fazer a palpação abdominal. Enquanto comprimia seu abdome perguntei: "se sentir alguma dor ou desconforto me avise!". Ao que obtive como resposta, junto a um sorriso: "Não, doutor, pode continuar, a massagem está muito boa!"

Este mesmo paciente, durante um passeio, rapidamente recolhe uma pequena pedra no chão, e leva à boca, engolindo-a, sem que houvesse tempo de impedí-lo. Sob meu protesto sobre o ato, e minha pergunta do porquê fazia aquilo, respondeu-me com a maior simplicidade e lógica: "Estou com fome!"

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Psiquiatria



Este curta-metragem mostra um pouco sobre a realidade da bela e desafiadora profissão pela qual estou trilhando.

domingo, 28 de agosto de 2011

Pensamento do dia...





"Não me envergonho de mudar de idéia, porque não me envergonho de pensar"
(Pascoal)

Frase citada por Chico Anysio em entrevista ao Fantástico. Mesma entrevista onde disse que há mais de 20 anos vai ao psiquiatra uma vez por semana.


Psiquiatra, procure um você também! (Campanha pelo fim do preconceito à psiquiatria!)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Estudos avançados em psiquiatria...




As alucinações pensam [...] 

Já no eco puro e simples, a transposição sintática de "eu" e "ele" é o trabalho pessoal da alucinação [...]


(Gaëtan Gatian de Clérambault 1872-1934)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Demônios!

No último domingo eu estava de plantão. À noite estava lendo sobre um avanço na Classificação Internacional das Doenças (CID - 10), que rotula, sob o código F44.3, o chamado "Estado de Transe e de Possessão". Trata-se de um transtorno caracterizado por uma perda transitória da consciência da própria identidade pessoal quanto da consciência plena do ambiente. Devem ser incluídos nesse diagnóstico somente os estados de transe involuntários e não desejados, excluídos aqueles de situações admitidas no contexto cultural ou religioso do sujeito.


Ou seja: um indivíduo que ouça e veja os espíritos, ou que incorpore espíritos "voluntariamente", não é considerado doente, nem psicótico. E o mais interessante: um indivíduo que esteja sendo obsediado, que esteja "possuído" (como nos filmes "O exorcismo de Emily Rose" ou "O exorcista"), esses também não são considerados psicóticos, e sim com uma doença, um agravo de saúde, podendo ser classificado no CID-10 dentro deste espectro. Achei isso fantástico! Muito bom.
Lembremos que eu estava no meu plantão. Fui dormir. 5 da manhã fui acordado pelo enfermeiro para avaliar um rapaz que havia se cortado. Cheguei na sala de sutura, olhei o corte na perna, com uns 5 cm de largura e meio centímetro de profundidade. Perguntei:
- Rapaz! Como você fez isso aqui?
- Tenente, se eu te contar o senhor não vai acreditar.
- Conte! Garanto que vou!
- Eu moro com meus pais. Acordei gritando e me dei conta estava com o meu terçado (facão) na mão, a bainha na outra, ainda deitado na cama, e já estava com a perna cortada e sangrando! Foi obra do demônio que me possuiu! (Com a cara transfigurada de medo).
- Fica tranqüilo, o senhor vai levar uns pontinhos, coisa rápida!

Pedi para o enfermeiro limpar a ferida enquanto eu ia rapidamente ao banheiro lavar o rosto para acordar. Caminhei até o longo corredor do Posto Médico pensando na história do demônio. Quando eu coloquei o rosto no corredor levei um rasante de um morcego de um palmo e meio de comprimento! Recuei assustado, e o morcego continuou seu vôo até o fim do corredor, desaparecendo de minha vista ao fazer a curva na recepção. Em 8 meses neste posto, nunca havia visto um morcego entrar ali. Logo pensei: foi mesmo coisa do demônio! Por que? Bem...

Para identificar a presença de uma possessão, alguns ítens são observados. Um deles é a presença de animais sinistros ou insetos junto ao "candidato". 

Se acredito nisso? Parcialmente. Sou espírita e budista. Acredito na obsessão como a influência de espíritos vingativos, mal-feitores, obcecados, viciados... enfim, numa aproximação com intenções negativas e prejudiciais na maioria das vezes. Mas que fala de obsessão, possessão, encosto... está falando da mesma coisa, mas com explicações distintas para o fenômeno. Assim como a sua forma de resolução. O exorcismo católico, ou de outras religiões (em voga mais do que nunca, veja AQUI) não é efetivo, em meu ponto de vista, como é a ação de desobsessão. Esse assunto é complexo, e não pretendo esgotá-lo em um único post!

Um amigo me perguntou: mas como você explicaria o ocorrido sem envolver explicações sobrenaturais? Falei que estava apresentando fatos. dentre as explicações, o que dizer? Epilepsia? Surto psicótico? Ou o diagnóstico que existe no Código Internacional das Doenças utilizado no mundo todo: "estado de transe ou possessão"?

Mais vale o ensinamento de meu velho mestre de psiquiatria da UFF, quando o confrontei numa das primeiras aulas do curso sobre a origem das vozes ouvidas pelos psicóticos: "um bom psiquiatra dá o anti-psicótico e encaminha para um bom centro espírita!"



Crux sacra sit mihi lux 

Non draco sit mihi dux

Vade retro satanás
Nunquam suade mihi vana
Sunt mala quae libas
Ipse veneno bibas

quinta-feira, 15 de abril de 2010

De perto, ninguém é normal

Esta semana estão ocorrendo em todo o Brasil as Conferências Municipais de Saúde Mental, que levarão propostas para as Conferências Estaduais e depois para a Federal.

A reforma psiquiátrica continua em pleno vapor, e eu estou tendo a honra de participar como médico e representante do Exército na conferência da cidade de Tefé, que mesmo sendo interior do Amazonas e uma das cidades isoladas deste país, dá exemplo e possui um CAPS com equipe de saúde mental capacitada, trazendo o melhor do tratamento psiquiátrico, psicológico e demais ações intersetoriais que colocam em prática a integralidade, conceito fundamental do SUS.




OBS - Estou sumido do blog, mas ainda hoje prometo um post sobre possessão demoníaca! Até!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Isso é que é masoquismo!



No sanatório um sádico, um masoquista, um psicopata, um necrófilo, um zoófilo e um piromaníaco estão sentados num banco do pátio, sem saber como ocupar o tempo.

Diz o zoófilo:
- E aí, vamos transar com um gato?
Então diz o sádico:
- Vamos transar com um gato e depois torturá-lo!
E diz o psicopata:
- Vamos transar com um gato, torturá-lo e depois matá-lo!
Diz o necrófilo:
- Vamos transar com um gato, torturá-lo, matá-lo e depois transamos com ele outra vez!
E diz o piromaníaco:
- Vamos transar com um gato, torturá-lo, matá-lo, transar com ele outra vez e atear-lhe fogo!
Segue-se um silêncio, todos olham para o masoquista e perguntam:
- E aí?
Ele responde:
- Miau!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

BBB10


Ok, lá vamos nós para a décima edição do BBB. Não acredito que assisti às 10 edições! Nem todas com a mesma assiduidade, mas sempre acabo vendo alguma coisa. Estávamos discutindo hoje no posto médico se assistimos com a desculpa de analisar o comportamento humano no confinamento, ou pelo simples fato das mulheres bonitas. Claro que são ambos os motivos! E vou discorrer rapidamente sobre a questão comportamental.

O programa possui uma fórmula, um molde. A escolha dos participantes obedece a um padrão. O mais óbvio diz respeito a selecionar sempre personagens de classes determinadas: mulheres "gostosas" (me perdoem as feministas), homens fortes sem cérebro (desculpe, sou um nerd), um negro, um homossexual, um "revoltado", ou desajustado socialmente, e assim por diante. Reparem nas 10 edições, e vão achar sempre os personagens equivalentes em cada uma delas. Isso dá um aspecto de igualdade e oportunidade a diversos grupos sociais, como "cotas". Mas não é só isso. Todos, ou a maioria dos participantes, precisam ter um padrão hipomaníaco, hipertímico ou serem "bipolares leves". E para vocês comprenderem, vamos recorrer à minha futura especialidade, a psiquiatria.

Já observaram? Na vida real vocês se comportam assim? Mesmo em um ambiente de competição e exposição, em poucos minutos já estão se abraçando, pulando, dançando, se tornam os melhores amigos do mundo... Ou na hora da separação fazem um dramalhão mexicano, por mais incrível que pareça, verdadeiramente e de forma genuina? Pulam nús na piscina, gritam alto, acordam quicando... Pois é.

Nestes estágios do que podemos chamar de humor, podemos estabelecer a seguinte escala "crescente":

Eutimia ("normal") - Hipertimia - Hipomania - Mania

E nessa escala observamos justamente fatores como o afeto, os gastos, a exposição à riscos, o contato e o convívio social, a comunicação verbal, o pensamento, as relações afetivas, o visual, o estilo de dirigir...

Para exemplificar, vou descrever um pouco do hipomaníaco: exibicionista, exagerado, dramático, expansivo, arrogante, enérgico, pouco sono, impulsivo, arrisca-se desnecessariamente, distribui abraço e beijos, briga por pequenos motivos, domina a conversa, não aceita posições contrárias, fala com volume alto, usa palavrões, é intimidador, acelerado, polêmico, grande apetite sexual, muitos parceiros, chama atenção pelas roupas que usa por serem vibrantes, ousadas, sensuais, alternativo...
Você escolheria um hipomaníaco para o BBB? CLARO QUE SIM!

Para uma leitura excelente sobre bipolaridade e seus espectros, recomendo o livro "Temperamento Forte e Bipolaridade", do psiquiatra brasileiro Diogo Lara, de onde baseei minha explanação.



Ainda no mesmo tema mas mudando de assunto:

Vendo essa edição do BBB, percebi que os dois homossexuais da edição, além dos maneirismos relacionamos ao gênero (sim, na sexualidade avaliamos o sexo e o gênero), pude observar que ambos tinham seus peitos, braços e pernas depilados. Até aí tudo bem. Minha surpresa foi reparar que todos os outros participantes, os heterossexuais, também são todos depilados! Esse é o novo padrão metrossexual ditado pela mídia?


Estou aqui para defender o padrão hirsuto de masculinidade , como podemos observar em Sean Connery como o lendário 007!

Então, inicio a campanha: homens peludos, mulheres depiladas! (Que terrível isso... desculpem caros leitores!)






Já que coloquei o Sean Connery sem camisa no meu blog, vou ter que equilibrar, colocando a belíssima Fernanda Vasconcelos...


:-)




Lembrei de uma coisa, que um professor psicanalista certa vez me falou. Se não me falha a memória...

Existe uma fase na infância onde a criança ainda não compreendeu a sua sexualidade. Logo em seguida vem uma etapa em que ela está definindo sua sexualidade, mas ela é baseada em conceitos aprendidos com pai, mãe, etc, e não há ainda uma introjeção do seu real gênero. É nessa fase que, se você chamar um menino de menina, ele fica profundamente incomodado, chora, fica bravo, pois há um medo a respeito de ele ser ou não o que estão falando. Essa fase passa, e o gênero define-se. As pessoas que "amadureceram" neste sentido, ou seja, definiram sua opção sexual sem dúvidas.
Chame de "viadinho" alguém "bem resolvido" com sua sexualidade, e o máximo que vai conseguir é uma piadinha de volta, sem ofensas.
Mas, porém, entretanto, contudo todavia, ao chamar de "viadinho" determinadas pessoas, elas podem reagir mal. Serão agressivas verbalmente e até corporalmente (grande parte das pessoas que reagem assim são fortes, malhados, lutadores... Seria uma forma reativa inconsciente?). O motivo? Durante a infância, por algum motivo, não obtiveram de suas vivências o necessário para o amadurecimento da definição e certeza, lá no fundo, de sua sexualidade. O brutamontes se sente como o garotinho, inseguro, por achar que o fato de outra pessoa fazer um comentário pode mudar algo ou dar a entender o que ele não quer ou não tem 100% de certeza.

Entenderam?

Tô escrevendo demais hoje. E temas polêmicos... por favor, sou um livre pensador! Sem preconceitos!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O EFEITO DAS DROGAS


(Vi no "Procurando Vagas")


No vídeo pode até parecer engraçado, mas na vida real o uso de drogas tem se tornado uma tragédia. Trabalhei em uma Clínica Psiquiátrica e eram inúmeras internações por dia de viciados em álcool, cocaína e crack, de todas as idades, ambos os sexos, todas as classes sociais, e muitos abrindo desde cedo quadros psicóticos graves, algumas vezes irreversíveis! Por isso, meus amigos, busquem diversão em atividades sem riscos para suas estruturas psíquicas e físicas, ok?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O caminho do meio...

História verídica ocorrida comigo.

Outro dia eu estava de plantão em uma Clínica Psiquiátrica que trabalho e conversava com uma paciente, explicando sobre a doutrina Budista.

(Eu) - ...Siddhartha (o Buda) ouviu um barqueiro que passava no rio ensinando música ao seu discípulo. Ele dizia que as cordas do alaúde não deveriam ficar nem muito frouxas, pois não emitiriam som algum, nem muito esticadas pois arrebentariam. E Buda compreendeu o conceito conhecido como "O CAMINHO DO MEIO", onde todos deveriam seguir um caminho de equilíbrio e não de extremismos.

(A paciente) - Nossa... Coitado do Bipolar!


Creio ter sido uma das conclusões mais brilhantes que ouvi nos últimos tempos! :-)



No Transtorno do Humor Bipolar, entre outros critérios diagnósticos, o paciente alterna fases maníacas (euforia) e fases depressivas em sua vida.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Jorel, o homem do espaço!

Será?
:-)




ESQUIZOFRENIA

Alguns sintomas possíveis:
... delírios persistentes de outros tipos que são culturalmente inapropriados e completamente impossíveis, tais como identidade política ou religiosa ou poderes e capacidades sobre-humanas (por exemplo ser capaz de controlar o tempo ou de se comunicar com alienígenas de outro planeta)...
(Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10, Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas, Artmed, 1993)